
Já disse para algumas pessoas que não gostei desse filme. O filme é muito bem feito, sua trilha sonora é perfeita e os personagens são envolventes. O fato é que eu não sei lidar com “o fim”, seja de qualquer coisa, seja uma despedida, seja qualquer coisa que acabou… que terminou… O fim para mim é insuportável!O filme “Meu Irmão Quer Se Matar” tem exatamente “o fim” como temática. Seu núcleo gira em torno de Wilbur (Jamie Sives) que busca incessantemente se matar. Harbor (Adrian Rawlins) é um homem bondoso que passa sua vida inteira tentando cuidar de Wilbur, seu irmão mais novo, salvando-o sempre de seus ataques suicidas. Eles cuidam de um sebo herdado do pai já falecido.
É nesse sebo que eles conhecem Alice (Shirley Henderson), que entra na loja acompanhada de sua jovem filha Mary (Lisa McKinlay). Alice é faxineira num hospital das redondezas e vende os livros que os pacientes deixam nos quartos à medida que são desocupados. Harbour apaixona-se por Alice, fazendo com que os quatro vivam cada vez mais próximos.
A diretora Lone Scherfig consegue lidar de uma forma bem humorada com um tema muito delicado: A morte. Seu filme “Italiano para iniciantes” (2000) foi um dos primeiros a levar o selo Dogma 95, movimento dinamarquês de regras rígidas que extirpa recursos técnicos que potencializam a ilusão do cinema e, de acordo com o manifesto, massificam a produção da arte, enganando a audiência. Com “Meu Irmão Quer Se Matar” Lone Scherfig abandona a maioria dos princípios do Dogma 95, mas, embora tenha fugido ao Dogma, mostra que aprendeu algumas lições: estéticamente o filme é impecável.
A história dessa estranha família é curiosa. Em tempos que o cinema é produzido para tirar uma reação imediata do público, seja de riso, seja de repulsa, seja de tristeza. O filme “Meu Irmão Quer Se Matar” não é assim. Nada está dado e sempre é bom duvidar da sua primeira impressão. A complexidade da vida em contraste com a simplicidade das pessoas é o grande centro da história. Os personagens são simples, mas escondem elementos que não são claros a primeira vista. A genialidade de Lone Scherfig está em ser absolutamente imparcial e, acima de tudo, em deixar nas mãos do público a interpretação dos fatos e o entendimento dos personagens.