Julie (Juliette Binoche), uma famosa modelo, sofre um acidente que é fatal para seu esposo, um renomado compositor erudito, e sua pequena filha. A dor da perda é insuportável para Julie, que passará, de agora em diante, por uma reavaliação pessoal. Ela não tem mais nada daquilo que tinha à segundos atrás; as pessoas que mais amava foram brutalmente arrancadas de seu lado. Quando ela volta à consciência após o acidente, vê, no hospital, pela TV, o funeral com o caixão de seu marido ao lado do de sua filha.
Sua vida entra em crise e ela percebe que deve recomeçar do nada, reconstruir a partir de escombros, a partir de entulhos… Não dá para simplesmente voltar a sua antiga casa e tentar deixar o tempo cuidar das feridas. Ela deve mudar de vida, de casa, de cidade, de hábitos. No entanto, a grande obra de seu esposo, uma canção pela unificação da Europa, a persegue, e Julie vê que necessita terminá-la. A mensagem central do filme é revelada por um simples flautista de rua, mas Julie não compreende bem, embora seja exatamente isso o que ela esteja vivendo: “Todos precisam se apegar a algo”.
Essa mensagem é espantosa. “A liberdade é Azul” nos diz que a solidão é sempre o maior inimigo do homem. Não importa o que seja, sempre o homem deve estar apegado a alguma coisa, a um sonho, a um objeto, a uma outra pessoa… Não importa o que seja. Isso retrata a incompletude humana, a insuficiência do ser humano a si mesmo.
O filme “A liberdade é Azul” é o primeiro filme do diretor Krzysztof pertencente a uma trilogia que se segue com “A igualdade é Branca” e “A fraternidade é Vermelha”, que constituem os ideais da revolução francesa. Não vejo a hora de ver esses outros dois!
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