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5 x 2. Dir. François Ozon. 2005

Postado em François Ozon com as tags em 16 Agosto, 2006 por antoniofelipesilva

Mais um brilhante filme do diretor francês François Ozon. “O amor em cinco tempos” tem o peculiar roteiro de ser mostrado de traz para frente. Do fim de um relacionamento rumo à sua origem, em direção àquilo que moveu pela primeira vez, o casal protagonista, a começar um relacionamento.O filme apresenta Marion (Valeria Bruni-Tedeschi) e Gilles (Stéphane Freiss) no dia em que eles assinam os papéis do divórcio. A partir desse ponto, o roteiro leva o espectador a conhecer os detalhes que formaram esse relacionamento: são cinco seqüências estrelados pelo casal.

Pode parecer no mínimo estranho que não percamos a curiosidade de ver um filme quando ele já começa pelo fim. O que nos mantém na poltrona do cinema é a motivação em descobrir o porquê que aquele casal que no fim se divorcia, e após o divórcio, transam numa cena de um “estupro concedido”, se chegaram, um dia, a se amar de verdade. A composição dos cinco atos, das cinco cenas ou fases do casal, são marcadas pela angústia, pelas mentiras recíprocas, pela incompatibilidade de gênero, pela fraqueza de Marion e pelo machismo de Gilles. É muito curioso que Ozon consiga transpor um drama muito pesado, que causa uma auto-avaliação em qualquer telespectador em seu relacionamento, em cenas que se revestem, às vezes, com a capa de uma comédia romântica. A festa de casamento, num clima totalmente familiar, é o mesmo cenário da primeira traição. Ozon não nasceu para fazer “contos de fada”, essa nunca foi sua intenção. Ozon sempre transporta para as películas fatos verdadeiros de pessoas verdadeiras.

O ranço das mentiras adormecidas, dos segredos calados, das palavras não ditas, do carinho não feito, do amor não anunciado, da ajuda não oferecida, das mágoas causadas, enfim, dos “maus entendidos” entendidos, é o caminho certo e seguro para a separação daquilo que não teve razão alguma para começar. O título “O amor em cinco tempos” sugere algo de universal, de imutável quanto à natureza daquilo que é chamado “amor”. O filme não é romântico e é ao mesmo tempo. Ozon retratou aquilo que é dito “amor” de forma verídica. O amor sempre começa pelo mesmo motivo e termina pelo mesmo motivo, a saber, o acaso. Eis a palavra que anula qualquer romantismo, o acaso… Pois o acaso é motivo suficiente tanto para começar, quanto para terminar.

 

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Swimming pool. Dir. François Ozon. 2003

Postado em François Ozon com as tags em 7 Agosto, 2006 por antoniofelipesilva

A falta de inspiração. Uma crise aparente na vida de uma autora britânica de best-selers. Convidada por seu editor para passar o verão numa casa no sul da França, ela conhece Julie (Ludivine Sagnier), uma misteriosa jovem com quem terá uma relação turbulenta. Os conflitos começam com coisas simples, bobas na verdade, como por exemplo, a comida que foi esquecida de ser colocada na geladeira, o volume da TV um tanto alto e coisas desse tipo. No entanto, não são as diferenças que chamam a nossa atenção na relação entre as duas protagonistas, mas sim, aquilo que as aproxima, aquilo que identifica ambas numa coesão de personalidades.

 

Sarah Morton (Charlotte Rampling) esperava, naquele verão, a atmosfera ideal para seu gênio criador literário. A primeira vista a presença de Julie na mesma casa poderia atrapalhar seus planos, mas não é bem isso o que acontece. Embora haja, desde o início, um conflito latente entre as duas, Sarah, sob a pressão de escrever um livro genial para o mercado editorial, começa a fazer esboços em que a protagonista é Julie. Ela começa a transportar a experiência que tem com a realidade, a experiência que ela consegue captar no convívio com em ficção. Sarah reconstrói Julie.

 

 

 

O trabalho de Sarah Morton começa a ser o de conhecer Julie cada vez mais num convívio, sobretudo, investigativo. Julie tem uma personalidade que incita a curiosidade de Sarah. No fim, não se sabe bem se Julie realmente existiu, se esteve realmente na casa, no sul da França naquele verão, se não era simplesmente um efeito, um fruto, da imaginação criadora de Sarah.

Novamente, Ozon coloca genialmente, assim como em “8 femmes”, poucos personagens atuando num pequeno espaço. O que é colocado em prova é o talento. Ludivine Sagnier parece ser a preferida de Ozon, ela aparece em “8 femmes”, “Gouttes d’eau sur pierres brûlantes”, em cada filme mostrando um lado distinto de suas habilidades frente as câmeras.

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8 Femmes. Dir. François Ozon – 2002

Postado em François Ozon com as tags em 29 Julho, 2006 por antoniofelipesilva

8 mulheres, um assassinato, uma delas é a assassina. Mistério, beleza, paixão, perigo… Este é mais um daqueles filmes de Francois Ozon. Ele é muito bom em colocar pessoas em espaços pequenos vivendo suas transformações, suas descobertas, seus conflitos.

A narrativa se desenrola a partir do assassinato de um homem, o patriarca da família. 8 mulheres são consideradas suspeitas, sendo que uma delas, com certeza, é a autora do crime. Não há como chamar a polícia, pois os fios do telefone foram cortados, e algo fez o mesmo com os fios do carro, para impedir que partissem.. Cada uma delas tem razões suficientes para ter cometido o crime e a conclusão do caso só cabe à elas. Elas se vêem forçadas a se confrontar, com muitos ressentimentos e verdades vindo à tona enquanto tentam elucidar o que está acontecendo.

O elenco conta com o talento de Isabelle Huppert (Augustine), que mostra, assim como em “A professora de piano”, sua habilidade com a música. Ludivine Sagnier (Catherine), já conhecida dos filmes “Swimming pool” e “Gotas d’agua em pedras escaldantes”, do mesmo diretor, mostra novamente seu charme, embora esteja um pouco mais “inocentemente infantil” desta vez.

O filme é muito engraçado, Ozon ousou fazer, ao que parece, uma paródia dos filmes de suspense Wolliwodianos. O que não pude deixar de fazer foi colocar as melhores cenas do filme aqui. Reparem o talento musical dessas mulheres:

Emmanuelle Béart

Isabelle Huppert

Ludivine Sagnier – Papa T’es Plus Dans Le Coup

Catherine Deneuve

Fanny Ardant

Virginie Ledoyen

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Sous le Sable – Dir. François Ozon

Postado em François Ozon com as tags em 17 Maio, 2006 por antoniofelipesilva

Aparentemente um casal normal. Jean Drillon (Bruno Cremer) e sua esposa Marie Drillon (Charlotte Rampling), em férias, vão ao litoral, uma região costeira de Landes. Enquanto vê sua esposa tomar sol na areia, Jean diz querer entrar no mar e nunca mais volta.

O filme trata do enigma do desaparecimento de Jean frente a negação do acontecimento por Marie. De forma extremamente natural, Marie ainda imagina conviver, dia pós dia, com Jean. Marie ainda o sente caminhar de um cômodo a outro do apartamento; ainda o sente deitado ao seu lado na cama antes de dormir; Marie ainda sente Jean lhe tocar e conversar; ainda o vê tomar café nas manhãs.


Conforme o tempo passa, a presença de Jean vai tornando-se ofuscada pelas coisas que permanecem. A imagem de seu marido vai ficando cada vez mais distante e com menos brilho de que a presença das pessoas que continuam ao seu redor. Quando Marie se entrega aos braços de um outro homem, ela não encontra mais a imagem de Jean em seu apartamento. Ela simplesmente não o sente mais como antes.

Ao começar aceitar o falecimento de seu esposo e receber a notícia de um corpo encontrado no mar, Marie visita sua sogra e comenta sobre um possível suicídio de Jean. Quando comparece à polícia para o reconhecimento do cadáver, Marie afirma não ser aquele o corpo de seu esposo.

À beira da praia, Marie olha o mar, no mesmo local onde, meses antes, tomava sol. Ao deslumbrar de um espectro na areia, Marie, inutilmente, corre em sua direção na esperança de um encontro.


Nessa bela obra de François Ozon podemos perceber o micro-universo que é a subjetividade. A realidade do mundo de Marie é toda constituída por ela e nela mesma, usando como matéria-prima sua ignorância e sua paixão, ou melhor, sua ignorância apenas, porque sua paixão é fruto da sua ignorância.
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