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Flags Of Our Fathers. Dir. Clint Eastwood. 2006

Postado em Clint Eastwood com as tags em 21 Fevereiro, 2007 por antoniofelipesilva

Flags Of Our Fathers” é um filme que trabalha a distância entre aqueles que estão dentro da guerra e aqueles que a acompanham através dos noticiários. Uma foto tirada ao acaso durante a conquista Norte-Americana da ilha japonesa de Iwo Jima se transforma em símbolo de vitória e sucesso da empresa bélica americana. Os integrantes da célebre foto são erguidos pelo governo e pela mídia americana ao pedestal de heróis nacionais, mas para eles, não há nada de heróico em “escapar de alguns tiros e ver todo o absurdo de uma batalha”.

O diretor Clint Eastwood não tem receio em mostrar que a foto em questão não tem valor histórico algum, mas foi apenas uma troca de bandeira numa zona do conflito de pouca importância tirada por um soldado qualquer ao acaso. Na realidade, muitos daqueles que figuram na foto morreram instantes depois da foto ser tirada. No entanto, era importante ao governo americano que os “heróis da foto” estivessem vivos para trabalharem nas campanhas publicitárias pedindo a compra de ações para financiar a guerra, através da comoção com os que morreram e do estabelecimento do orgulho nacional. De uma forma nada honrosa o governo americano mendiga doações para tapar o rombo nos cofres públicos diante de uma população já cansada da Guerra.

Flags Of Our Fathers” faz parte de um gigantesco projeto cinematográfico que se completa com o filme “Letters from Iwo Jima”, que Eastwood dirigiu e gravou simultaneamente, mas este último baseado no ponto de vista nipônico do conflito. Diante de um ponto de vista total deste projeto podemos perceber claramente que sob um mesmo momento histórico, uma mesma batalha, se desenrolam histórias muito distintas do ponto de vista daquilo que é considerado a própria honra. Num filme, do lado japonês, vemos o que acontece nos túneis da montanha, no outro, do lado americano, vemos aqueles que sobem a montanha.

Se de um lado acompanhamos o investimento norte americano de ganhar a guerra através da propaganda. Do outro vemos japoneses em defesa do futuro de suas famílias e cultura. Quando as câmeras focalizam apenas o front de batalha fica impossível reconhecer um inimigo, distinguir quem é bom de quem é mau, mas apenas pessoas que lutam cegamente por uma razão que não é a delas.

Bom, finalizando, penso que os dois filmes podem existir separados, e embora formem um paralelo perfeito, uma espécie de negativo um do outro, são suficientes em si mesmos. Mas aconselho a ver os dois, e talvez na ordem que eu vi: Primeiro “Letters From Iwo Jima” e depois “Flags Of Our Fathers”. Mas com certeza absoluta “Letters From Iwo Jima” é um filme muito melhor, embora tenha sido feito por Eastwood um pouco no improviso e na sombra do primeiro.

Veja o Trailer:

Letters From Iwo Jima. Dir. Clint Eastwood. 2006.

Postado em Clint Eastwood com as tags em 20 Fevereiro, 2007 por antoniofelipesilva

Existem muitos filmes sobre guerras e batalhas históricas no cinema, mas poucos são realmente bons. “Letters From Iwo Jima” entra nesse seleto grupo. É no mínimo muito curioso que um diretor hollywoodiano, Clint Eastwood, faça num mesmo ano dois filmes sobre um mesmo fato histórico: A Segunda Grande Guerra. O primeiro filme é “A Conquista da Honra” (Flags of Our Fathers – 2006) – Ainda não tive oportunidade de assistir. A diferença entre os dois é o ponto de vista durante a guerra. O primeiro, “Flags of Our Fathers”, aborda a Guerra do ponto de vista americano, enquanto o segundo, “Letters From Iwo Jima”, sustenta o ponto de vista japonês do conflito. É interessante saber que os dois filmes foram rodados simultaneamente pelo mesmo diretor, com o cuidado que nenhum integrante de um elenco apareça nos dois filmes acidentalmente.

Letters From Iwo Jima” é uma adaptação baseada num livro escrito por James Bradley sobre o dramático conflito de 40 dias na ilha japonesa considerada pelo Império japonês o último reduto de resistência no pacífico. A conquista da ilha de Iwo Jima garantiria aos Estados Unidos a rendição de seu adversário. O drama consiste em mostrar a situação precária, mas corajosa, do exército imperial japonês. Tadamichi Kuribayashi (Ken Watanabe) é um respeitado estrategista japonês incumbido de gerenciar o exército imperial para o conflito. Conhecendo o poderio tecnológico do inimigo, pois já estudou nos Estados Unidos, Kuribayashi direciona reformas estratégicas de defesa e supervisiona a construção de túneis nas montanhas que serviriam para desorientar os americanos que chegassem à ilha. Kuribayashi conhece a superioridade do exército inimigo e deve lidar com a escassez de munição, comida e água, além de um exército composto por integrantes despreparados e que por muitas vezes parecem não saber o que estão fazendo na ilha.

É interessante notar que apesar da consciência de todo o exército imperial japonês de que sobreviver era um sonho impossível, eles lutam até o último instante. As cartas que os combatentes da ilha escreveram para suas famílias, como forma de expressão nas noites de solidão bélica, dão voz e espírito aos soldados japoneses mortos na batalha.

Veja o Trailer: