Arquivo para a Cédric Klapisch categoria

L’ auberge espagnole. Dir. Cédric Klapisch. 2002

Postado em Cédric Klapisch com as tags em 6 Setembro, 2006 por antoniofelipesilva
Antes de “Bonecas russas”, já comentado aqui anteriormente, Xavier (Romain Duris) já havia começado sua aventura atrás de seu “eu” em “Albergue espanhol”. Com 25 anos, Xavier está terminando o curso de Economia. Com a oferta de um emprego, de um amigo de seu pai, no Ministério da Fazenda, Xavier precisa para assumir o posto saber a língua espanhola. Ele decide acabar seus estudos em Barcelona, para aprender a língua. Para isso vai ter que deixar Martine (Audrey Tatou), sua namorada há quatro anos. Ao chegar em Barcelona Xavier procura um apartamento no centro da cidade e acha um em que deve morar com sete estudantes, todos estrangeiros.

Tendo como cenário uma das cidades mais dinâmicas da Europa, Barcelona, “Albergue Espanhol” faz uma paródia com a diversidade cultural.

Xavier chega à Espanha totalmente despreparado – sem saber falar o idioma do local onde está. Entristecido por deixar a namorada na França, Xavier está confuso sobre quem é ou que laços pode criar nessa cidade estrangeira. Na busca de um lugar para ficar, ele acaba encontrando um casal francês recém-casado, um médico e sua solitária esposa, Anne Sophie, (Judith Godrèche) que lhe oferecem o sofá. Depois, encontra um lugar definitivo: um apartamento com sete estudantes de nacionalidades tão variadas quanto suas personalidades e sexualidade. Segundo Xavier, a multiplicidade de línguas faz lembrar o caos que existe em sua cabeça.

Xavier se vê, pela primeira vez, antes de “Bonecas Russas”, envolvido numa teia de mulheres: a namorada francesa Martine, que parece distante mesmo tendo vindo visitá-lo; sua melhor amiga lésbica no albergue e instrutora sexual, a belga Isabelle, que gostaria que Xavier fosse mulher; e a reprimida Anne Sophie, por quem Xavier sente um afeto que acaba desembocando num caso proibido. Esse problema foi melhor explorado no filme que ilustra os mesmos personagens cinco anos mais tarde…

Mesmo com corações partidos e olhos sendo abertos de formas inesperadas, e mesmo com o tumulto e a confusão reinando no apartamento, surge uma espécie de unidade a partir dos sonhos que seus habitantes têm em comum. Surge também a certeza que nenhum deles será igual depois das experiências que viveram no Albergue Espanhol. Agente nunca é o mesmo depois de conhecer alguém diferente…

Confira Xavier contando a história de seu primeiro beijo em Martine:

Veja o Trailer:

Les Poupées Russes. Dir. Cédric Klapisch. 2006

Postado em Cédric Klapisch com as tags em 14 Julho, 2006 por antoniofelipesilva

 

 


Porque o nome “Bonecas russas”? Antes de ver o filme, imaginei que fosse esse título porque as atrizes são lindas… Mas é muito mais do que apenas isso. Você sabe o que é uma boneca russa? É um brinquedo que faz parte do folclore russo. Seu nome original é матрёшка [matrioska]. Tal brinquedo é constituído por uma série de bonecas, feitas de diversos materiais, ainda que o mais freqüente seja a madeira, que são colocadas umas dentro das outras, da maior (exterior) até à menor (a única que não é oca, a única que é a boneca verdadeira.) Bom, agora ficou fácil saber porque o filme tem esse nome. Se ainda não consegui te ajudar a entender, Xavier (Romain Duris), dá a dica:

 

 


“If I think about all the girls I’ve known or slept with or just desired, they’re like a bunch of Russian dolls. We spend our lives playing the game dying to know who’ll be the last, the teeny-tiny one hidden inside all the others. You can’t just get to her right away. You have to follow the progression. You have to open them one by one wondering, “Is she the last one?”

 

 


“Bonecas russas” é a continuação do filme “Albergue espanhol”, do diretor francês Cédric Klapisch. A história consiste em Jovens estudantes europeus que se conhecem num albergue, agora na fase adulta [diga-se de passagem que há pouca diferença de maturidade], se reencontram para o casamento de um deles. Xavier é o protagonista. Escritor de telenovelas, tem como trabalho fabricar sonhos para a audiência televisiva. Não é sem motivo que entra em crise. Não consegue, pelas contradições entre os sonhos e a realidade, se reconhecer no seu trabalho; chega, forçosamente, a se questionar sobre o que é o amor. Questiona-se como é amar de verdade. A questão é que Xavier escreve sobre o amor, sobre uma harmonia entre duas pessoas, mas não é o que encontra na vida real.

 

 


Dividido entre Wendy (Kelly Reilly), a amiga britânica, e uma modelo, Xavier conta com a ajuda de Isabelle (Cécile De France), sua amiga lésbica, para encontrar o verdadeiro amor. É uma história muito engraçada, e também, repleta de contradições. Xavier procura Wendy em Londres para ajudá-lo na redação de um roteiro de uma telenovela, e na busca de uma fórmula perfeita de um romance de sucesso para a TV, eles se envolvem e Wendy se apaixona. No entanto, Xavier, que fazia “bicos” como jornalista, é chamado para redigir a biografia de uma jovem modelo. É nesse momento que ele se depara com todos os paradigmas de perfeição feminina. A “mulher de simetrias perfeitas”. Ele vê por detrás do poder sedutor da jovem uma fragilidade de espírito que o impressiona. A garota é linda e ponto. Só isso!

A graça do filme está nas situações inusitadas que podemos criar sem perceber. O sonho, a fantasia, é algo do qual não se pode viver sem. Xavier é romântico, todavia não é um alienado, ele apenas procura a “última boneca”, aquela que está dentro de todas as outras, como uma criança que se diverte com a matrioska.

 

 

Nesse filme ouvi a coisa mais bonita que uma mulher podeira dizer a um homem. Quando Xavier ia partir de trem para entrevistar a modelo, wendy disse para ele na despedida:Wendy:I know you’re not always perfect. I know you have tons of problems, defects, imperfections… but who doesn’t? It’s just that I prefer your problems. I’m in love with your imperfections. Your imperfections are just great! [... ] I know most girls they get weak on their knees for what’s beautiful, you know, that’s all they see, that’s all they want. But I’m not like that. I don’t just see what’s beautiful. I fall for the other stuff. I love what’s not perfect. It’s just how I am.
Mas Xavier entrou no trem… não dá para entender! [...] Talvez pensando no caso do filme se chamar “Bonecas Russas”, agente nunca sabe qual será a última… Nunca sabe…Confira:
Melhor cena do filme, em homenagem ao meu amigo Vitor Bustamante, aquele que me acompanhou ao cinema e disse ser esse o melhor filme que viu no último mês, haja visto que ele vê sempre numerosos filmes por mês:

É… talvez a rua de simetrias perfeitas seja mesmo muito sem graça…

Trailer: